Segunda às 7 da Manhã | 23 de Junho 2025


A medicação como meditação

“Se te der um medicamento para a febre que tens, recuperas em três dias; se não te der, recuperas em quatro.” - O meu médico de família nos anos 90.

[Este artigo reflecte as minhas opções pessoais e não pretende convencer ninguém a adoptar essas mesmas escolhas.]

No início de 1998, depois de uma alergia provocada por um antibiótico, decidi que iria procurar formas alternativas de cuidar melhor da minha saúde.

Sinceramente, não sabia como o iria fazer, um pouco como o Frodo Baggins do Senhor dos Anéis: “Eu levarei o Anel até Mordor. Mas… não sei o caminho.”

Apesar de ser uma descoberta científica que já salvou milhões de vidas ao longo de várias gerações, no meu caso, porque tinha um histórico de toma intensiva, o meu sistema imunitário não estava a melhorar.

Com 27 anos, sentia a minha vitalidade a baixar, uma fraqueza extrema depois das tomas e recorrência dos sintomas, por vezes poucos dias depois das tomas, o que se diz ser natural.

No entanto, existem momentos nas nossas vidas em que temos tempo e energia para tomar decisões que sabemos que, apesar de serem contra-intuitivas, queremos pelo menos experimentar.

No final de 1998, tinha abandonado qualquer forma de medicação até ao dia de hoje.

Excepto as anestesias do dentista, que peço que sejam das que dão às grávidas pois não contêm adrenalina e o efeito passa mais rapidamente, reduzindo o tempo de recuperação.

Como fui avaliando este processo ao longo do tempo?

O que me foi motivando? Quem me garante que estou certo?

3 Aspectos:

  1. Depois de cada gripe, resfriado ou inflamação existe um sentimento de vitalidade, “o pós” não trás consigo um sentimento de fraqueza que conhecia anteriormente quando utilizava uma abordagem unicamente química.
  2. Mesmo no meio de infeções mais complexas – e elas existiram e existem – existe também a clara identificação dos vários estágios do processo. Estes estágios são vistos como algo natural. Sim, existe o início, existe o período em que os sintomas pioram, a febre sobe e depois existe ali um momento em que há um clique, em que parece que o corpo dá a volta e em breve recuperarei de novo a vitalidade. Em todo o processo sinto sempre claramente que o corpo “está a trabalhar ativamente na recuperação” e eu tenho um papel de apoio ao mesmo, não de interferir com os processos do próprio corpo.
  3. Menor recorrência de infecções virais e bacterianas e, se acontecem, existe uma recuperação mais rápida. A noção de que o corpo cada vez tem mais recursos, mais vocabulário para lidar com o que surge.

Este é um processo lento, pois com referi, a toma de antibióticos foi intensa nos primeiros anos da minha vida, por isso acredito que é possível recuperar esta inteligência com pequenos passos e de criação de uma vitalidade mais eficiente.

O que tenho utilizado como caminho?

  • A base deste caminho tem sido o Chi Kung. Esta prática deriva da Medicina Chinesa e, pela sua capacidade de alinhar corpo, respiração e mente, não só actua como uma prática preventiva, mas ajuda a tratar questões crónicas – sejam padrões e lesões físicas, sejam padrões emocionais que também nos limitam, lesionam, inflamam e debilitam.
  • A alimentação tem um papel de apoio complementar, pois como a maioria dos seres humanos eu tenho a necessidade de comer, e se existe esta necessidade porque não comer algo que gaste o menos recursos possíveis ao meu sistema no seu processamento e assimilação; que seja o menos inflamatório possível; e que mantenha os níveis de açúcar equilibrados durante o tempo necessário para fazer aquilo que para mim é importante? Ah! E que seja sazonal.
  • Suplementação que apoia em alguns momentos deste processo. Para mim, a suplementação deve ser pessoal, pontual e sazonal. O efeito de Imunomodulação como o que os cogumelos ou factores de transferência oferecem são as minhas preferidas. Para além disso, claro, do conhecimento que a Medicina Chinesa me deu e que permite criar combinações simples com plantas que podem ser cultivadas no jardim e que podem ser terrivelmente eficazes.
  • Jejum, duas refeições por dia são para mim a dose ideal, e quando existem processos inflamatórios não realizar a refeição da noite, ou mesmo passar só para um adieta liquida, acelera consideravelmente o processo de recuperação e regeneração.

Nestes 28 anos…

Aprendi que adoecer é normal e é saudável, mas aprendi também que existem [e hoje muito mais do que há 28 anos atrás] muitas formas de recuperar o sistema imunitário, baixar a inflamação e desintoxicar.

Independentemente das escolhas que façamos, é importante – [porque também hoje mais do que há 28 anos atrás] – há informação suficiente para fazermos escolhas cada vez mais informadas que pesam todos os prós e contras.

Os Antibióticos estão, é claro, em cima da mesa se forem necessários mas até hoje, o caminho que escolhi tem sido de escuta, respeito e confiança no próprio corpo, apoiado por práticas milenares, estudos recentes e por um conhecimento das necessidades do meu organismo ao longo destes anos.

Tal como nos antigos contos chineses, em que o médico da aldeia era valorizado não apenas por saber tratar doenças, mas por conseguir manter as pessoas saudáveis, acredito que o verdadeiro cuidado começa muito antes da doença se manifestar. O Chi Kung, a alimentação adaptada às estações e a utilização criteriosa de plantas e suplementos são, para mim, ferramentas de afinação – não de combate.

Ao olhar para trás, vejo que a maior aprendizagem não foi apenas sobre evitar medicamentos ou fortalecer o sistema imunitário, mas sim cultivar uma relação mais consciente e harmoniosa com o meu próprio corpo.

Não se trata de rejeitar o conhecimento científico ou os avanços da medicina ocidental — pelo contrário, trata-se de encontrar equilíbrio e discernimento, sabendo quando confiar no ritmo natural do organismo e quando recorrer a outras soluções quando necessário.

Hoje, com 28 anos de experiência neste percurso, partilho a minha história e a convicção de que cada um tem o direito — e talvez o dever — de conhecer o seu corpo e as suas opções terapêuticas - também com opção.

E que nunca é tarde para experimentar um caminho diferente, desde que seja feito com respeito, informação e escuta atenta.

Que cada um possa encontrar o seu próprio equilíbrio, seja ele qual for — porque, tal como na medicina chinesa e na ciência moderna, o mais importante é a harmonia entre todos os elementos que compõem a nossa vida.

Boas práticas

Até para a semana
Lourenço de Azevedo

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Abriu mas fechou logo.

[ps sem qualquer recurso a promoção nas redes sociais] e existe agora lista de espera para o curso de Chi Kung Criado por duas professoras que colaboraram comigo no curso de Chi Kung Terapêutico aqui de Braga - Este vai ser em Sintra, podem saber mais aqui e se existir vontade em participar enviem um email clicando aqui. Haverá depois um contacto da Margarida ou da Ana caso existam desistências ou a abertura de uma nova turma neste programa de Estudos de Chi Kung que recomendo.

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Se deseja não só aprofundar ou criar recursos para a sua saúde mental, existe uma palestra que realizei com o nome "O Coração está calmo como um lago".

Esta palestra inclui agora um áudio de respiração coerente, para que possa criar uma prática simples, mas tremendamente eficaz na regulação do seu corpo, da sua respiração e da sua mente.

Ao longo da sessão, abordo de forma prática como as nossas emoções — raiva, alegria, preocupação, tristeza e medo — estão profundamente ligadas ao equilíbrio dos órgãos internos e à nossa saúde mental.

Além disso, são apresentadas estratégias para ampliar a chamada “janela de tolerância”, ou seja, a nossa capacidade de manter estabilidade emocional em tempos de stress.

O que inclui?

  • Uma perspectiva tradicional sobre a ligação entre corpo, emoções e saúde mental.
  • Compreensão de como diferentes emoções se conectam a órgãos específicos, segundo a medicina oriental.
  • Ideias práticas sobre como cultivar estados de calma, evitar a acumulação de stress/desgaste e favorecer o equilíbrio interior.
  • Ferramentas para lidar com ansiedade, depressão, luto e outros estados emocionais, integrando movimento, alimentação e comunidade no seu quotidiano.
  • Reflexão sobre o valor das pausas e do autoconhecimento na gestão emocional.
  • Uma prática de Chi Kung de 30 minutos, que pode facilmente integrar no seu dia.
  • Um módulo extra de respiração coerente, onde pode dar os primeiros passos nesta prática que pode transformar a sua relação com o stress e a ansiedade.

Clique aqui para aceder a esta palestra.

Lourenço de Azevedo

Utilizo o Chi Kung Terapêutico para quem procura mais Vitalidade e uma Imunidade mais fortes.

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