Segunda às 7 da Manhã | 16 de Junho 2025


Olá, Reader

Esta é a Newsletter Semanal - 2ª Feira às 7 da Manhã

Uma frase

A nossa capacidade de fazer as pazes com outra pessoa e com o mundo depende, em grande medida, da nossa capacidade de fazermos as pazes connosco próprios. - Thich Nhat Hanh

O artigo

Saúde Mental Plena:

Ou o que é que um Macaco tem a ver com a Regulação Emocional

A saúde mental plena vai muito além da ausência de sintomas; está profundamente ligada ao equilíbrio entre corpo e mente, à forma como respiramos e à capacidade de regular as nossas emoções. Neste equilíbrio reside a verdadeira resiliência para enfrentar os desafios da vida com serenidade.

Uma história tradicional ilustra este princípio de forma exemplar e pode servir como metáfora para a nossa própria regulação emocional e funcionamento dentro da chamada janela de tolerância:

Num antigo mosteiro, o mestre propôs um desafio aos seus discípulos e a artistas marciais convidados: numa sala cheia de pratos de loiça frágil, libertou um pequeno macaco. O objectivo era tocar com um leque na cabeça do macaco sem partir nenhum prato. Quem conseguisse seria reconhecido como mestre do controlo e da precisão.

Os primeiros tentaram com agitação e pressa — saltando, rodopiando, encurralando o macaco. Porém, o animal assustado fugia entre os pratos, quebrando muitos deles. Ninguém conseguia aproximar-se o suficiente para lhe tocar com o leque.

Chegou a vez do mestre mais velho. Entrou calmamente, sentou-se no chão, pousou o leque ao lado e ficou imóvel, respirando suavemente, tão sereno como um lago numa manhã sem vento. O macaco, intrigado pela ausência de ameaça ou movimento brusco, aproximou-se cautelosamente, sentou-se junto ao mestre e este pegou no leque e tocou-lhe levemente na cabeça — sem ruído, sem pratos partidos.

Esta história é uma metáfora para a janela de tolerância, conceito desenvolvido pelo Dr. Dan Siegel que descreve a faixa ideal de activação física e emocional onde conseguimos funcionar de forma equilibrada e eficaz.

  • Os primeiros artistas marciais representam estados fora da janela — com hiperactivação — caracterizados pela agitação excessiva, ansiedade e impulsividade que levam ao desequilíbrio (os pratos partidos).
  • O mestre mais velho representa alguém que está dentro da janela — numa calma profunda, centrado e presente — capaz de regular emoções e agir com precisão e harmonia (tocar o macaco suavemente sem causar danos).

Assim como o mestre que permanece imóvel para que o macaco se aproxime, nós também podemos cultivar a quietude interior para que as emoções se tornem acessíveis e possam ser integradas sem causar "quebra" no nosso equilíbrio interno.

Na tradição oriental, a mente distraída e inquieta é frequentemente comparada a um “macaco saltitante” — a chamada monkey mind.

Este conceito descreve o fluxo constante de pensamentos, preocupações e emoções que pulam de um lado para o outro, tal como o macaco da história, facilmente assustado e propenso ao caos se tentarmos controlá-lo à força.

Nas práticas de Chi Kung e meditação, cultiva-se precisamente a arte de observar e acalmar esta agitação interna, não pela repressão ou luta, mas criando um espaço de presença e aceitação.

Quando insistimos em perseguir ou dominar o “macaco”, a mente torna-se ainda mais inquieta, tal como os discípulos que partiam os pratos.

Mas, ao cultivarmos a calma permitimos que a mente se tranquilize por si mesma, regressando gradualmente à janela de tolerância.

Assim, a monkey mind não deve ser vista como inimiga, mas como parte natural da experiência humana.

O segredo está em aprender a conviver com ela, oferecendo-lhe serenidade e espaço — tal como o mestre ofereceu ao macaco.

Desta forma, mantemo-nos firmemente ancorados, capazes de atravessar as tempestades emocionais sem nos quebrarmos por dentro.

Qual é o potencial quando acedemos a este super poder?

  • Capacidade de processar emoções sem ser dominado por elas
  • Pensar com clareza mesmo em situações desafiantes
  • Responder adequadamente ao ambiente sem reacções automáticas ou bloqueios emocionais

Apesar de existirem hoje muitas ferramentas para regular o nosso estado às quais todos temos acesso:

  • Livros de desenvolvimento pessoal
  • Áudios de relaxamento
  • Vídeos de práticas que gostamos
  • Lugares que nos revitalizam

Que nos permitem ir trazendo às vidas momentos de contentamento profundo ou momentos em que nos sentimos impelidos a criar mudança.

Na minha experiência não é tanto a diversidade de ferramentas que temos mas a consistência com que as visitamos.

Idealmente todos os dias devo entrar na sala dos pratos e trazer até mim o corpo, a respiração a um só lugar para que a mente, em vez de em pânico causar os estragos que todos nós conhecemos que gera o caos nas nossas vidas e nos drena, seja um lugar em que podemos criar a visão que desejamos para as nossas vidas.

"Quando conhecemos os outros somos inteligentes; quando nos conhecemos a nós próprios somos verdadeiramente sábios." - Livro do Tao


Se deseja não só aprofundar, mas também criar recursos para a sua saúde mental, existe uma palestra que realizei com o nome "O Coração está calmo como um lago".

Esta palestra inclui agora um áudio de respiração coerente, para que possa criar uma prática simples, mas tremendamente eficaz na regulação do seu corpo, da sua respiração e da sua mente.

Ao longo da sessão, abordo de forma prática como as nossas emoções — raiva, alegria, preocupação, tristeza e medo — estão profundamente ligadas ao equilíbrio dos órgãos internos e à nossa saúde mental.

Além disso, são apresentadas estratégias para ampliar a chamada “janela de tolerância”, ou seja, a nossa capacidade de manter estabilidade emocional em tempos de stress.

O que inclui?

  • Uma perspectiva tradicional sobre a ligação entre corpo, emoções e saúde mental.
  • Compreensão de como diferentes emoções se conectam a órgãos específicos, segundo a medicina oriental.
  • Ideias práticas sobre como cultivar estados de calma, evitar a acumulação de stress/desgaste e favorecer o equilíbrio interior.
  • Ferramentas para lidar com ansiedade, depressão, luto e outros estados emocionais, integrando movimento, alimentação e comunidade no seu quotidiano.
  • Reflexão sobre o valor das pausas e do autoconhecimento na gestão emocional.
  • Uma prática de Chi Kung de 30 minutos, que pode facilmente integrar no seu dia.
  • Um módulo extra de respiração coerente, onde pode dar os primeiros passos nesta prática que pode transformar a sua relação com o stress e a ansiedade.

Clique aqui para aceder a esta palestra.

Tem questões?

De como poderá integrar o Chi Kung na sua vida?

Responda a este email.

Boa semana boas práticas.

Lourenço de Azevedo.

Lourenço de Azevedo

Utilizo o Chi Kung Terapêutico para quem procura mais Vitalidade e uma Imunidade mais fortes.

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